01 Janeiro 2010

O Natal é tempo de paz, tempo de amor, tempo de lamentar a existência de pessoas como eu. Não admira que seja uma época que toda a gente aprecia. No dia que assinala o nascimento do salvador, o cardeal-patriarca não resistiu a lembrar que há quem não tenha salvação possível. Acaba por ser uma observação animadora. Se alguma coisa pode transtornar quem mereceu um lugar no paraíso é o facto de haver fila para entrar. Pois bem, eu serei menos um a obstruir os portões do céu: na homilia da missa de 25 de Dezembro, D. José Policarpo saudou os judeus e todos os que acreditam num Deus único - mas, ostensivamente, não me saudou a mim, que sou ateu. Os judeus acreditam tanto como eu que o menino cujo aniversário se celebrava é o filho de Deus. No entanto, receberam uma saudação. Para mim, nem um caridoso aceno de cabeça.

O ateísmo tem sido, para mim e para tantos outros incréus, a luz que me tem conduzido na vida. Às vezes fraquejo, em momentos de obscuridade e de dúvida, mas, mesmo sendo incapaz de provar a inexistência de Deus, tenho conseguido manter a fé - uma fé íntima fundada numa peregrinação que tem a grandeza e a humildade da longa caminhada da vida - em que Ele não exista. Todos os dias busco a não-existência do Senhor com renovada crença, ciente de que a Sua inexistência é misteriosa demais para que eu a tenha inventado.

É certo que o mesmo D. José Policarpo já havia dito que o ateísmo era o maior drama da humanidade - acima da fome, da guerra e do próprio time-sharing. Fê-lo, porém, em data menos misericordiosa. Sonegar saudações no Natal é particularmente cruel. O anátema mais duro é o que é lançado no tempo do perdão. Estou habituado a receber anátemas e garanto aos menos experientes que os anátemas natalícios são os que aleijam mais. Em todo o caso, no fundo eu sei bem que não sou digno de ser saudado. Acreditar que Deus existe é uma convicção profunda, mas acreditar que não existe, curiosamente, não o é. Alguém, munido de um aparelho próprio, mediu a profundidade das convicções e deliberou que as do crente são mais fundas que as do ateu. Quando alguém diz acreditar em Deus, está a exprimir legitimamente a sua fé; quando um ateu ousa afirmar que não acredita, está a agredir as convicções dos crentes. Ser crente é merecedor de respeito, ser ateu é um crime contra a humanidade. Ainda assim, esperava ter sido saudado. Eu não acredito em Cristo, mas sempre acreditei nos cristãos. É a primeira vez que vejo um deles recusar ao menos uma saudação a um pecador.

 

in: visão

by:ricardo araujo pereira

MAGICADO POR Miguelita às 12:13
tags FEDORENTAS:

Apontamento bastante interessante...
Lsofia a 1 de Janeiro de 2010 às 17:32

Eu sou uma grande fã do Ricardo mas fico desapontada ao saber que ele é ateu. Todos temos o direito de escolher a nossa religião, seja ela qual for, e até mesmo acreditar que Deus não existe, mas como sei que o Ricardo é um homem muito inteligente fico perplexa com as palavras dele. É claro que o D. José Policarpo não iria saudar os ateus porque não acreditam em Deus ao contrário dos judeus, que são apenas de uma religião diferente.
Espero apenas que um dia o Ricardo não passe por uma situação muito dificil porque as pessoas sem fé são como pessoas sem esperança, os momentos dificeis podem-se tornar muito negros.

Cardiwomen a 12 de Janeiro de 2010 às 23:57

eu posso dizer que sinto o mesmo que ele eu posso nao ter a inteligencia dele mas as pessoas catolicas nao o são apenas porque sabem que um dia vão ter que acreditar em alguma coisa para nao sofrerem eu sou ateu porque simplesmente não acredito que haja alguem superior a mim não acredito nisso nem nunca acreditei e não e por isso que perco a esperança

se num avião estiverem 99% catolicos e eu a unica ateia decerteza que não vou comexar a rezar porque para mim nada disso me vai ajudar a salvar
Miguelita a 13 de Janeiro de 2010 às 14:13

Eu tambem não sou catolica Erica porque não acredito na Biblia nem gosto de padres pedofilos e do Papa que têm milhões de euros mas não ajuda ninguem só diz aos outros para ajudarem, apesar de ter sido criada numa família católica. Mas eu acredito em Deus, em algo que criou o Universo. E é verdade uma pessoa que não têm fé, nos momentos maus é muito pior.
Cardiwomen a 14 de Janeiro de 2010 às 00:32

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