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Gato Fedorento Fãs

Gato Fedorento: 4 pessoas, 4 homens, 4 comediantes, mas acima de tudo são 4 amigos... 4 amigos que adoram o que fazem, e nós adoramos o seu trabalho!

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José Diogo Quintela: "Gostava de convidar Bruno Alves para um programa, mas atado a uma cadeira" JORNAL i

28
Mar10

Sentado numa esplanada de Lisboa, com café e uma mesa repleta de jornais, José Diogo Quintela começa por esclarecer que é raro dar entrevistas que não sejam por email. O gato anda escaldado com jornalistas. Em tempos estudou comunicação social mas desistiu à primeira oportunidade. Foi há dez anos, altura em que começou a escrever para as Produções Fictícias. Dez anos e 11 quilos atrás. "Era um badocha", brinca o autor de "Falar é Fácil", livro que reúne as suas crónicas publicadas no "Independente" e no "Público".

Hoje recebemos um email a anunciar a presença do "padrinho" José Diogo Quintela na inauguração de uma livraria, onde vai apresentar o seu livro. Sente-se confortável nesse papel?

É verdade, nunca pensei ser padrinho de um estabelecimento comercial. Sou padrinho de crianças e de casamento. Uma livraria tem grandes vantagens: sobre a criança, porque não bolça em cima do padrinho durante o baptizado, e sobre o padrinho de casamento porque a livraria dificilmente se divorcia, logo não tens aquela sensação de fracasso. Se fosse na Biblos, aí sim, sentia-me mal.

O livro reúne crónicas publicadas na imprensa. Uma espécie de "best of"?

É uma selecção, mas também tem o lado worst of. Há um cartaz de promoção do livro que diz "as melhores crónicas, mas também as piores, para encher". Tinha de encher, senão nunca daria para fazer um livro.

Como fez a escolha dos textos?

Em conjunto com a editora. Ela escolheu as que gostava mais e eu concordei genericamente. Houve algumas demasiado marcadas pela actualidade, que não fazia grande sentido serem publicadas. A ideia partiu da editora, a Tinta da China.

É chato promover um livro?

[Risos] Não é a minha actividade favorita, mas até é engraçado, dou uns passeios. Já tinha promovido o livro do blogue do Gato Fedorento, aí era mais engraçado porque estávamos os quatro.

Mas é consensual que os Gato gostam pouco de se expôr para além do que é o vosso trabalho. Raramente dão entrevistas.

Por uma razão muito prosaica: achamos que não temos nada de interessante a dizer. Falando por mim, é muito raro ter coisas que goste de partilhar com o público fora daquilo que já se sabe.

É muito disciplinado na escrita? Os jornais costumam ter prazos apertados.

Não me chateiam muito, acho que até sou disciplinado e cumpro com os prazos. No jornal "A Bola" não dá para falhar, na "Pública", sendo uma revista semanal, há uma certa tolerância. Não me custa acertar nos prazos. Sou disciplinado.

Sendo o seu primeiro livro em nome próprio, tem algum tipo de expectativas?

Gostaria que vendesse mais do que o almanaque Borda d'Água. Mas acho difícil, o almanaque tem uma estratégia de vendas muito agressiva, nomeadamente nos semáforos. Não tenho expectativas nenhumas, para além dos 20 exemplares que vou comprar mascarado.

Nem espera vender mais do que o livro de Ricardo Araújo Pereira (RAP)?

Não!

Não rivalizam em nada, para além dos cento e tal mil fãs de RAP no Facebook contra os seus 600?

[Risos] Quantos?! Eh, pá, vou infiltrar-me no Facebook para criar fãs. É natural que o Ricardo tenha mais fãs. É mais conhecido. E mais talentoso.

Quando se vê nos seus primeiros programas que passam na SIC Radical, muda de canal?

Não. Até acho piada. Sinto que fiz um bom trabalho de preparação física: era um badocha de 94 quilos e agora estou nos saudáveis 82. É engraçado porque de certa maneira envelhecemos à frente das pessoas. A primeira vez que fizemos aquilo foi em 2003. Eu já trabalhava nas Produções Fictícias desde 2000. Faz agora uma década.

Foi uma década alucinante?

De sexo, drogas e rock'n'roll? [risos]. Nada disso. Como te disse, somos pessoas muito desinteressantes.

Estudou Comunicação Social, sem nunca acabar. Queria ser jornalista?

Achei que queria escrever nos jornais. Depois, a meio do curso, descobri que não era nada daquilo que queria e que estava insatifeito. Por isso abandonei à primeira oportunidade.

Pensa terminar?

Não, sinceramente achava que o curso em si era fraco e que não estava a aprender nada de extraordinário. Se voltasse para a escola seria para fazer outra coisa qualquer.

O que andam a fazer os Gato Fedorento?

Nada.

São vocês que escrevem os sketches para a publicidade do MEO?

Não. No início eram inspirados em sketches nossos. A partir de uma certa altura deixamos de estar ligados à criatividade. Somos apenas os bonecos amarelos.

É divertido?

É divertido, cansativo e às vezes perigoso. Há dias ia levando com uma cadeira nos cornos, no anúncio em que sou projectado. Claro que nada acontece com aquela velocidade, mas houve uma altura em que a cadeira descarrilou e se eu não tivesse saltado tinha levado com ela. E até tinha cinto, mas estava mal posto.

Como está o processo com Pinto da Costa?

Não faço ideia. O Miguel de Sousa Tavares [MST] sugeriu ao Pinto da Costa processar-me. Entretanto, não ouvi nada, não fui avisado de nada. Depois, alguém com bom humor colocou na net umas escutas, e não sei se isso não terá esvaziado o ânimo do presidente do FCP. Não sei.

Não é a primeira vez que os Gato trocam mimos com o presidente do FC Porto.

Sim, fomos processados. Na altura saiu uma peça jornalística sobre a vida do Pinto da Costa e nós fizemos um sketche em que ele era o quarto filho, mas depois pagava à mãe para ser o primeiro.

Deu em alguma coisa?

Depusemos por vídeo-conferência, mas não passou disso. O Ministério Público não deu seguimento à queixa. Nunca chegou a julgamento.

Sente que colecciona inimigos com as suas brincadeiras?

No mundo do futebol é normal as pessoas crisparem-se um bocadinho mais. Mas não acredito que tenha inimigos. De vez em quando lá recebo uns emails...

De que género?

Às vezes, sobre os assuntos mais inesperados. Recentemente escrevi uma crónica sobre o "Avatar" e recebi um email de uma senhora indignada. Disse que eu não percebia nada, que estávamos a esgotar os recursos da terra e que tínhamos um estilo de vida perigoso. E que os indígenas é que a sabiam toda. Eu respondi: lamento informá-la mas não existe o planeta Pandora nem a raça Na'vi. Outro assunto delicado são as tunas. Em Portugal ninguém pode gozar com tunas.

Na crónica em que respondeu a MST usou um exemplo do Benfica para se defender. Deve ter engolido em seco.

Nunca é bom dizer menos mal do Benfica. Mas ainda agora, na Taça da Liga, deu-me gozo ver o Porto perder, mesmo tendo sido o Benfica a ganhar. Há uma destrinça importante que eu faço: são ambos rivais, mas o Porto, nas últimas décadas, teve uma postura de batota. Isto, independentemente de haver coisas no Benfica com as quais em discordo. Ainda há pouco, o presidente escreveu uma carta ao Joaquim Oliveira [patrão da Controlinveste] a queixar-se da Sport TV. Ora, um benfiquista a queixar-se da comunicação social é a mesma coisa que um Champalimaud dizer "eh pá, aumentaram as portagens outra vez".

Se os Gato fizessem um "Esmiúça os Sufrágios" com personagens de futebol, quem gostaria de convidar?

Tanta gente. O seleccionador Carlos Queiroz, por exemplo. O Bruno Alves, mas atado a uma cadeira. O Gilberto Madaíl. O futebol tem pano para mangas.

Falando em Bruno Alves. O que achou da sua prestação na final da Taça da Liga?

Não me surpreendeu. Nem foi das melhores exibições dele. Vejo o vale tudo na SIC Radical, por isso já estou habituado às prestações do Bruno Alves.

Os Gato Fedorento foram muito críticos em relação à licenciatura de José Sócrates...

[Interrompe] No meu caso é inveja. Não me lembrei dissso, de ir à faculdade ao Domingo. Uma das coisas que me correu mal no curso foi ter aulas ao Sábado. Fui lá duas vezes. Por isso admiro bastante o nosso primeiro-ministro, que se esforçou para acabar o curso ao Domingo.

Falou com ele no programa, o que lhe disse?

Nada de especial, apenas conversa de circunstância.

Quando estão a pensar em sketches, não cedem à tentação da vingança?

Usar o programa para ajustar contas não. Mas é impossível separares-te dos teus pontos de vista e das tuas referências. Nós abordámos os temas que estavam na ordem do dia, que eram, no fundo, os temas que preocupavam toda a gente.

O que o irrita verdadeiramente em Portugal?

As crateras da rua aqui de trás, pessoas no multibanco a fazer várias operações quando há gente na fila. E taxistas que embirram com o trânsito. É como se os médicos embirrassem com pessoas doentes.

Chegou a fazer trabalho comunitário por ter sido apanhado com a conduzir com álcool?

Sim. Doei o valor equivalente à multa a uma instituição de solidariedade social. Entreguei seringas e preservativos a toxicodependentes e prostitutas. Conheci gente interessante. E já ninguém me rouba o auto-rádio [risos].

Se RAP abandonasse os Gato, o que seria deles?

Os Gato deixariam de ser Gato se algum de nós abandonasse

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